Depois de um inesperado (e quase barn-find) encontro de um raríssimo NSU-FIATJagst 600 Transformável de 1960, e após uma facílima negociação com o seu proprietário, esta pérola chegou a nossa casa em Julho de 2022 e juntou-se ao 600D de 1970 que já por cá rolava. O carro tinha sido restaurado em 1998, utilizado regularmente até meados de 2000 e poucos, e depois ficou parado e guardado num armazém, junto com outras excelentes preciosidades (desde um Lancia Delta HF Integrale, passando por um FIAT 124 Spider e até mesmo um Ford T).
Depois de uma profunda intervenção nas mãos de um competentíssimo mecânico (e profundo conhecedor, não tivesse trabalhado quase toda a vida no grupo FIAT), teve igualmente um trabalho leve de chapa e pintura. Mas no meio da sua originalidade e até boa conservação, sempre houve um pormenor que saltava à vista e que levou desde cedo a iniciar uma busca por um simples objecto: o emblema frontal original Jagst. O nosso trazia um emblema 600 que foi por mim restaurado, e ficou em ótimo estado. Mas senti sempre que era uma peça provisória até, e se, encontrasse uma emblema Jagst que o substituísse.
A procura foi intensa e até diária. Pelos sites conhecidos (e outros nem por isso), através de amigos, conhecidos, e conhecidos de amigos, a muitos recorremos mas sempre sem qualquer sucesso.
Depois de muitos emails enviados e pedidos de informação a várias instâncias da área, quase por mero acaso tropecei no site do Clube Amigos dos 600 da Alemanha. Obviamente pensei “bem, o Jagst é alemão, faz todo o sentido… e o “não” está garantido, por isso toca a enviar email”. Depressa recebi uma resposta do presidente do Clube que, surpreendido e “tocado” pela história do carro e da nossa “demanda”, passou o meu contacto a um amigo que me disse eventualmente poder ajudar. Ainda estava a ler este email quando recebo outro!
O que começou como um mero pedido de ajuda depressa se transformou numa interessante e longa conversa sobre a paixão comum ao 600, as actividades do clube alemão e do nosso grupo, a história dos restauros dos nossos carros, a paixão que tem pelo seu VW Scirocco (bem como o 500 Giardineira, além claro do seu próprio Jagst), fotos etc etc etc… e a conversa termina assim: “bem, eu estive cinco anos à procura de um emblema para o meu e arranjei dois: um coloquei no meu carro, o outro tenho-o guardado como suplente para alguma eventualidade. Esse suplente eu vou ceder-lho!”.
Há coisas que não têm uma forma de agradecimento, e fiquei literalmente sem palavras pela atitude! Em poucos dias recebi uma caixa da Alemanha, e mais surpreendido fiquei: além do emblema Jagst ainda chegou igualmente um centro de volante FIAT, num gesto de simpatia e solidariedade que muito me comoveu. A resposta tinha que ser bem alentejana, como não podia deixar de ser: para terras germânicas seguiram logo um Tinto Cartuxa e um Monsaraz Colheita Tardia, que felizmente chegaram inteiros à Alemanha! Segundo sei, já só restam as garrafas…
Um simples pedido de ajuda originou uma interacção que infelizmente já é cada vez mais rara nos dias de hoje, e que tem sido alimentada com diversas partilhas de experiências automobilísticas, fotos e longas conversas sobre uma paixão comum: os automóveis clássicos e a sua importância na modernização e mobilidade da sociedade à época, a sua preservação no presente e, principalmente, a sua manutenção para o futuro! Resumindo, o facto do património automobilístico ser uma das maiores e inesgotáveis fontes de importância histórica.
E para que conste, já cá em Portugal uma competentíssima empresa cromou e restaurou o emblema, que está já colocado no seu devido lugar!
Como não poderia deixar de ser, aqui ficam as fotos que documentam toda esta “aventura”… Vielen Dank, Torsten!
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