A Bugatti celebra este ano 110 anos: por dois motivos

23 Janvier 2019 - auto.monitor

A Bugatti celebra este ano 110 anos: por dois motivos

O ano 1909 será sempre um dos mais relembrados e históricos para a Bugatti. Logo no início, no dia 15 de janeiro, nascia o filho mais velho de Ettore Bugatti que, mais tarde, viria a ser o autor de um dos modelos mais históricos da marca de Molsheim e uma figura de relevo para a Bugatti.

E foi também em 1909 que Ettore Bugatti fez nascer umas das mais prestigiadas marcas de automóveis de sempre.

Apesar de ter nascido em Colónia, na Alemanha, onde o pai trabalhava na altura, Gianoberto Carlo Rembrandt Ettore Bugatti foi sempre conhecido por Jean Bugatti, uma vez que toda a família se mudou para França pouco depois do seu nascimento. Aliás, foi na pequena cidade de Molsheim que Ettore Bugatti encontrou o espaço onde viria a nascer a sua marca de automóveis, sendo que o contrato inicial apenas foi assinado no dia 1 de janeiro de 1910.

Por perto, esteve sempre o seu filho mais velho, Jean Bugatti que, desde muito novo sempre se interessou pelo trabalho do pai e cresceu nas oficinas, junto dos trabalhadores da marca. Na sua adolescência e durante os seus tempos livres começou a revelar um talento natural para lidar com os automóveis e ajudou bastante em diversos pontos da sua produção. Nos anos 20 já era um dos membros essenciais da Bugatti e em 1936, com apenas 27 anos de idade, chegou mesmo a substituir o seu pai na liderança da marca.

Apesar de tudo isto, Jean Bugatti ficou mais conhecido por ter desenvolvido um dos modelos mais icónicos da marca, o Type 57 SC Atlantic, que pousou para a maioria dos catálogos da marca da altura e definiu um pouco da sua imagem, onde nem sequer falta o arco em forma de "C" que ainda hoje podemos encontrar no moderno Chiron.

O segundo Bugatti Atlantic produzido, de apenas quatro unidades, o Aero Coupé conhecido por "La voiture noire", é um dos carros mais misteriosos da marca, ou mesmo do mundo automóvel, uma vez que se desconhece o seu paradeiro. Diz-se que nunca foi registado e que nunca teve um proprietário, mas que foi o carro pessoal de Jean Bugatti durante algum tempo. Os registos deste modelo terminam num inventário feito por Jean, juntamente com diversos outros artigos pessoais que foram enviados por comboio para Bordéus, com o objetivo de não caírem nas mãos de Nazis durante a Segunda Guerra Mundial. O que aconteceu depois disso ninguém sabe e a "Voiture Noir" nunca mais foi vista, havendo apenas a suspeita de ter sido desmantelada com o objetivo de aproveitar os seus componentes em alumínio. Felizmente, as outras três unidades existentes ficaram a salvo e ainda hoje fazem parte de coleções como a de Ralph Lauren, por exemplo.

Jean Bugatti, no entanto, teve um destino ainda mais brusco. No dia 11 de Agosto de 1939, com apenas 30 anos de idade, encontrava-se a testar um dos modelos da marca em um dos caminhos que estava tão habituado a utilizar. No entanto, para evitar a colisão com um ciclista que se encontrava a atravessar a estrada, acabou por se despistar e colidir com uma árvore. No local do acidente há hoje um monumento, que nos lembra de tudo isto.

A história da Bugatti é cheia de paixão automóvel e com acontecimentos que marcaram algumas das suas mais importantes épocas, mas Jean Bugatti será sempre um dos seus nomes mais recordados, especialmente neste ano, em que se assinala o 110º aniversário do seu nascimento e também o da marca Bugatti.